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   Porto Alegre, terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

   

 

Biografia
 
 

Raul Carrion nasceu em 22 de dezembro de 1945, em Porto Alegre, numa família de forte atuação política e social. Seu pai Francisco Machado Carrion era advogado e Professor das Faculdades de Economia e de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), das quais foi Diretor. Sua mãe Erna Maria Kroeff Carrion também era professora. Tanto seu pai como seu tio Cândido Machado Carrion foram suplentes de Deputado Estadual na Constituinte de 1947, tendo ambos assumido por diversas vezes o mandato. Francisco Machado Carrion também foi Secretário de Educação do Porto Alegre e Presidente da Fundação Educacional Padre Landel de Moura (FEPLAM).

Seu bisavô materno Jacob Kroeff Filho foi Deputado Estadual pelo Partido Republicano, nas legislaturas de 1892/1896 e 1897/1900, e seu avô materno Jacob Kroeff Neto elegeu-se deputado Estadual, também pelo Partido Republicano, nas legislaturas de 1917/1920, 1921/1924 e 1925/1928, além de ter sido um dos líderes da emancipação do município de Novo Hamburgo e seu primeiro Prefeito.

Seu irmão Francisco Machado Carrion Júnior – falecido em acidente aviatório em 2001 – era Economista e Professor da Faculdade de Economia da UFRGS. Foi Deputado Estadual na legislatura 1983/1986 e elegeu-se Deputado Estadual Constituinte em 1986/1991. Na legislatura 1991/1994 foi Deputado Federal, ocasião em que assumiu a Secretaria de Administração e Planejamento do Estado do Rio Grande do Sul.

Seu irmão Eduardo K. M. Carrion é advogado, Cientista Político e Professor de Direito Constitucional, tendo sido Diretor da Faculdade de Direito da UFRGS. Sua irmã Otília Beatriz Kroeff Carrion é Economista e Professora universitária, tendo sido Diretora da Faculdade de Economia da UFRGS. Sua irmã Vera Maria K. Carrion é Engenheira Química, é funcionária concursada do Badesul e Vice-Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul. Seu primo Fernando Machado Carrion foi Prefeito de Passo Fundo e Deputado Federal na legislatura 1991/1994.

O ingresso na Ação Popular

Raul Carrion fez o ensino fundamental no Instituto Piratini, em Porto Alegre. A seguir, cursou o primeiro ano do científico no Colégio Farroupilha e os dois últimos anos no Colégio Anchieta.

Influenciado pelo Movimento da Legalidade em 1961 e pelas mobilizações pelas Reformas de Base que sacudiram o Brasil de Norte a Sul, iniciou sua militância política aos 17 anos, em 1963, ingressando na Ação Popular (AP) – organização revolucionária de origem cristã, que propunha uma “revolução socialista de libertação nacional”. Nela atuou com seus colegas do Colégio Anchieta José Luiz Fiori, Paulo Renato de Souza (futuro Ministro da Educação), Roberto Motolla, e outros.

Quando ocorreu o golpe de 1964, Carrion havia acabado de passar no vestibular de Engenharia da UFRGS, obtendo o 13º lugar entre mais de 1500 candidatos. Tendo optado pelo curso de Engenharia Química, logo se destacou como liderança universitária no combate à ditadura. Na ocasião, as principais forças de esquerda na UFRGS eram o PCB – sob a liderança de Flávio Koutzi, Marco Aurélio Garcia, Marcos Faermann e Trajano –, o PCdoB e a AP.

Já em 1964, Carrion fez parte da chapa da esquerda para o CEUE (Centro de Estudantes Universitários de Engenharia) que foi derrotada pela direita por poucos votos. Vivia-se o momento das primeiras lutas e confrontos contra o regime militar que havia colocado na ilegalidade a UNE, a UBES, as UEEs e as Federações Universitárias, e buscava impor uma estrutura estudantil, espúria, atrelada ao Ministério da Educação, formada por um pretenso “Diretório Nacional de Estudantes” (DNE), Diretórios Estaduais de Estudantes (DEEs), Diretórios Centrais de Estudantes (DCEs) e Diretórios Acadêmicos (DAs). Cabe registrar que, apesar de haver ganho as eleições para o CEUE, a direita nunca conseguiu mudar a sua denominação para “Diretório Acadêmico”, devido ao domínio da esquerda nas assembleias gerais do curso de engenharia. Por isso, até hoje ele é o “CEUE”.

Na mesma época foram convocadas eleições para o DCE da URGS (que substituiu a antiga FEURGS). O PCB lançou a candidatura de Flávio Koutzi, que teve o apoio da AP, em troca do apoio que o PCB lhe havia dado nas eleições para o DEE. Carrion, apesar de ser da AP, foi lançado pelo PCdoB e por lideranças da Engenharia e da Geologia, como candidato alternativo a Koutzi. Na convenção da esquerda, prevaleceu o nome de Koutzi que, no entanto, acabou derrotado pela direita nas eleições para o DCE.

Não concordando a tática de “hibernação” frente à ditadura – proposta pela maioria dos então dirigentes da AP do Rio Grande do Sul – Carrion passou a participar ativamente das lutas contra a ditadura e na organização da AP. Foi, então, eleito para o seu Comando Regional, junto com José Ouriques Freitas (ex-presidente nacional da JOC e liderança metalúrgica de Porto Alegre), Hélio Corbellini, Gilberto Bossle e Hello Duclós.

Em 1965 – com 19 anos –, passou a representar o Rio Grande do Sul no Comando Nacional da AP, participando de suas reuniões periódicas. Lá conheceu Aldo Arantes, Haroldo Lima, José Herbert de Souza (“Betinho”), Duarte Pereira, Paulo Whrigth e outros dirigentes nacionais da Ação Popular.

A luta junto ao movimento operário

Nessa época, além de acompanhar o movimento estudantil secundarista e universitário – onde atuavam José Loguércio, João Luís Santos, Carlos Lenglert, Carlos Augusto de Souza, André Foster, entre outros – passou a participar no movimento sindical da Região Metropolitana de Porto Alegre, junto às categorias dos metalúrgicos, “alfaiates” (trabalhadores do vestuário) e calçadistas. Em 1965, apoiou a luta pela retomada do sindicato dos metalúrgicos de Porto Alegre, que foi impedida pela negativa do DOPS em fornecer o “atestado ideológico” a diversos candidatos da chapa de oposição. Pouco tempo depois, coordenou a campanha da oposição ao Sindicato dos Sapateiros de Porto Alegre, que acabou vitoriosa, colocando Adão da Graça na sua presidência.

Através de sua participação nessas lutas, Carrion conviveu com inúmeras lideranças operárias da época, como José Freitas, Pedro Machado Alves, Antônio Losada, Castilhos, Adão da Graça, Rancheirinho, João de Deus Canha, Aldomiro Scherer, Agenor Castoldi e Luís Carlos Xavier, entre outros. Nessa época, aproximou-se de forma definitiva do marxismo, no que José Freitas teve importante papel, pois era quem já tinha maior conhecimento do marxismo na direção da AP.

A partir da vitória no Sindicato dos Calçadistas de Porto Alegre, Carrion estreitou sua ligação com o movimento calçadista de Novo Hamburgo e do Vale do Sinos em geral, passando a atuar em toda a região. Em 1967, para poder dedicar-se integralmente ao trabalho de direção da AP e à luta contra a ditadura, suspendeu o seu curso de Engenharia Química. O núcleo executivo do Comando Regional da AP de então passou a ser constituído por Carrion, José Freitas e Pedro Calmon.

Nessa época, a Ação Popular aproximou-se do Partido Comunista da China – que se encontrava em plena “Revolução Cultural Proletária” – e teve início o chamado “processo de proletarização da AP”, sendo os militantes convocados a integrar-se à vida do povo. Ao lado da justa preocupação de direcionar o trabalho da AP prioritariamente para as massas operárias e camponesas, surgiram orientações sectárias, tipicamente pequeno-burguesas. De forma esquemática, foram estabelecidas normas diferenciadas a serem seguidas pelos militantes – segundo eles fossem de origem operária, camponesa ou pequeno-burguesa – definindo o que cada um podia possuir, o estilo de vida que devia ter, etc. Concepção sectária, que nada tinha a ver com o marxismo. Nesse período, Carrion já havia deixado de participar do Comando Nacional da AP.

Começaram, então, a surgir questionamentos – principalmente entre os companheiros do Rio Grande do Sul que atuavam no movimento operário – por entenderem que essa era uma visão equivocada, não marxista, de caráter predominantemente religioso. Logo depois, surgiu – com base no chamado “Esquema dos Seis Pontos” de Jair Ferreira de Sá, o “Dorival” – a orientação de “integrar-se na produção”. Para Carrion, Freitas e outros, isso não passava de uma tentativa da pequena burguesia de tentar substituir e dirigir a classe operária e os camponeses.

Partindo de uma concepção leninista, entendiam que o “Partido da Classe Operária” era fruto da união da teoria marxista com o movimento operário. O que ocorreria na medida em que os intelectuais revolucionários – portadores da teoria revolucionária – se unissem ao movimento operário e contribuíssem para a formação de lideranças proletárias, sem tentar substituí-las. Portanto, até era aceitável a integração na produção, como um caminho para a formação quadros operários, para ajudá-los a assimilar o marxismo, visando a sua transformação em “intelectuais revolucionários operários”. Nunca com o objetivo de substituí-los.

A direção nacional da AP decidiu, então, deslocar para o Rio Grande do Sul o dirigente Altino Dantas (que mais tarde viria a romper com a AP e formar o PRT), com a tarefa de “enquadrar” a AP do Rio Grande do Sul nas novas orientações. Altino travou, então, uma luta interna contra a direção estadual da AP-RS, que resistia a essa visão sectária. Esse processo foi sedimentando uma forte divergência entre um conjunto de companheiros – especialmente os que atuavam no meio operário – e o Comando Nacional da AP. O novo núcleo de direção passou a ser hegemonizado por Altino Dantas e alguns militantes cooptados por ele, como Pedro Calmon. Fruto dessas divergências, Carrion e Freitas deixaram de fazer parte do Comando Regional da AP.

Em 1968, devido aos laços estabelecidos com lideranças operárias da região calçadista do Vale dos Sinos, Carrion mudou-se para Novo Hamburgo – principal polo da indústria calçadista no Rio Grande do Sul –, com o objetivo de estender o trabalho da Ação Popular na região e ajudar na organização dos trabalhadores na luta contra a ditadura. Depois de alguns meses morando em Novo Hamburgo, Carrion realizou um curso de “cortador” na escola do Sindicato, e empregou-se em uma importante fábrica de calçados, utilizando uma documentação falsa em nome de “Antônio Ferreira da Costa”. Passou nos testes, trabalhou durante uma semana, mas não conseguiu permanecer no emprego, por não possuir toda a documentação exigida. Conseguiu, então, emprego como operador de máquina em uma fábrica de componentes de calçados. Assim, “integrou-se na produção”, mas com uma visão diametralmente oposta à pregada pela Ação Popular.

Rapidamente, estruturou a AP em Novo Hamburgo, atraindo importantes lideranças calçadistas, principalmente da Juventude Operária Católica (JOC), onde, entre outros, destacavam-se Renatinho, Sebastião Velho, Nelson Sá e Astrogildo. A realização de cursos e a difusão de materiais de formação política contribuíram para o fortalecimento do trabalho nas fábricas. Pequenas lutas, em diversas empresas, serviram para melhor preparar as forças.

O dissídio de 1969 dos calçadistas de Novo Hamburgo serviu como uma prova de fogo para o trabalho realizado. Depois de debater a situação, a direção da AP em Novo Hamburgo – com a participação de Carrion – decidiu lançar uma ampla mobilização entre os calçadistas, com a palavra de ordem "40% ou greve!". Panfletos foram impressos e amplamente distribuídos nas fábricas de forma semiclandestina, utilizando os mais variados métodos.

Apesar da direção pelega a frente do sindicato e da recente edição do Ato Institucional Nº5 – causando um inevitável refluxo nas lutas sindicais –, a categoria mobilizou-se. Temendo a greve, o DOPS, auxiliado pelos patrões, prendeu nas fábricas, na véspera da assembleia decisiva, 10 lideranças operárias, com o objetivo de desarticular o movimento. Entre os presos, levados para o DOPS de Porto Alegre, encontrava-se Renatinho, da direção da AP de Novo Hamburgo. Em reunião da direção, realizada em Novo Hamburgo nessa noite, Carrion se propôs e realizar uma panfletagem de carro, durante a madrugada, nas portas das principais fábricas, conclamando à participação na assembleia. Os panfletos foram impressos em um mimeógrafo de tinta e Carrion arrancou, de carro, às 5h da manhã, do Bairro Canudos em direção a Porto Alegre, percorrendo em torno de 20 fábricas, que amanheceram com suas calçadas cobertas de convocatórias.

Na assembleia realizada nessa noite, mais de 700 trabalhadores lotaram o Sindicato. A repressão policial foi generalizada. Em torno de 30 trabalhadores – todos que usaram a palavra para defender a paralização – foram detidos, desarticulando a greve. Finalizada a mobilização e libertados os detidos, o balanço mostrou que a estrutura organizativa do trabalho da Ação Popular não havia sido detectada nem golpeada.

Na medida em que o trabalho crescia entre os trabalhadores e mais operários ingressavam na AP, aumentaram as demandas organizativas e tornou-se necessária a publicação regular de um pequeno jornal. Para dar conta dessas e de outras tarefas, Carrion saiu da produção, para dispor de mais tempo. Isso foi interpretado pela direção da AP como um “recuo no processo de integração na produção” no Rio Grande do Sul. Ou seja, era mais importante ter um militante de origem pequeno-burguesa integrado na produção do que o ingresso e formação de lideranças operárias na AP. Uma visão completamente equivocada!

Em meados de 1969, depois de algum tempo fora da produção, Carrion retomou o trabalho fabril, agora em uma metalúrgica, como operador de prensa, ao mesmo tempo que seguia realizando suas tarefas na organização da AP. Nessa metalúrgica, depois de alguns meses, sofreu um acidente de trabalho, perdendo a ponta de um dedo e tendo de ir para o seguro. Com o dinheiro da indenização, adquiriu uma carabina Itajubá, calibre 22, que depois – já no PCdoB – viria a servir para o treinamento de tiro, em um processo incipiente de preparação militar.

Justamente nessa época, ocorreram diversas reuniões com a direção da AP, inclusive dirigentes nacionais, que tentavam “enquadrar os rebeldes”. Nesse processo, ocorreu o rompimento definitivo. Assim, junto com outras lideranças operárias – como José Freitas, Agenor Castoldi, João de Deus, Pedro Machado Alves e os companheiros do Vale do Sinos – Carrion desligou-se da Ação Popular no segundo semestre de 1969.

A filiação ao Partido Comunista do Brasil

Em fins de 1969, junto com diversas lideranças operárias da Região Metropolitana de Porto Alegre, ingressou no Partido Comunista do Brasil. Foi um ano de grandes avanços, com a reconquista pela esquerda das principais entidades estudantis da UFRGS – entre elas na Engenharia e na Economia – culminando com a vitória para o Diretório Central de Estudantes da UFRGS, então sob o controle dos apoiadores da ditadura.

Nesse mesmo ano de 1970, Carrion foi eleito para a direção estadual do PCdoB, assumindo a sua secretaria de organização. O Secretariado era composto, ainda, por “Nelson” – secretário político – e Agenor Castoldi (“Gurjão”) – secretário de agitação e propaganda. Também participavam da direção estadual, entre outros, Bruno Mendonça Costa, Delfino Lobo, Delfino Reis e Pedro Machado Alves.

Em fins de 1970 – refletindo a hegemonia que o PCdoB havia alcançado no movimento universitário gaúcho – Carrion foi escolhido como o único delegado do Rio Grande do Sul ao Conselho Nacional da UNE, realizado clandestinamente em Salvador, Bahia em 1971. A reunião foi encerrada abruptamente, em plena madrugada, por problemas de segurança. De volta a Porto Alegre, Carrion prestou vestibular para o curso de Química da UFRGS, classificando-se em 2º lugar.

Entre 1966 e 1971, Carrion trabalhou em diversas ocasiões como professor, lecionando matemática, geometria descritiva e desenho geométrico em diversos pré-vestibulares e escolas, entre os quais o Pré-Vestibular do DCE da UFRGS, o Colégio Israelita Brasileiro e o IPV (Instituto Pré-Vestibular).

Prisão, torturas e exílio

No dia 28 de maio de 1971, à noite, ao chegar à residência de João Flores da Silva – onde eram digitados os jornais “A CLASSE OPERÁRIA” e “O PROLETÁRIO” – Carrion foi preso e levado ao DOPS, no Palácio da Polícia. Ali, encontrou, já sob tortura, além de João Flores e sua esposa Flávia Röessler, diversos dirigentes partidários, entre os quais Bruno Mendonça Costa, Delfino Lobo, Delfino Reis, Júlio Zancanaro e João Barbosa. Acusado de ser o secretário de organização do PCdoB no Estado – conhecendo, portanto, os contatos de todo o Partido no Estado – e de haver entregue a João Flores da Silva pentes de balas calibre 45 encontradas em seu apartamento, foi submetido, durante dez dias, às mais bárbaras torturas, sob o comando do Delegado Pedro Seelig e seus sicários, entre eles o narcotraficante Nilo Hervelha.

No DOPS, foi dependurado nu e encapuçado, de cabeça para baixo, com as mãos amarradas sobre os joelhos flexionados e com uma barra de ferro passando entre as pernas, no chamado “pau-de-arara”. Nessa situação, foi jogado, por diversas vezes, no chão, de forma a golpear sua coluna vertebral e danificá-la. Por horas a fio, dia após dia recebeu choques elétricos de até 400 Volts (com baixa amperagem, para evitar a morte) nos pés, nas mãos, no crâneo, nos ouvidos e nos órgãos genitais. Uma das formas mais sádicas de aplicação dos choques elétricos era a chamada “bicicleta”, quando o seviciado era colocado de bruços no chão, completamente nu, com os braços amarrados nas costas e os fios presos nos dedos dos pés, também voltados para traz; ao lhe serem aplicadas as descargas elétricas, o resultado era um movimento convulsivo das pernas, lembrando o pedalar de uma bicicleta, acompanhado de terríveis dores.

Sofreu por diversas vezes a espancamentos generalizados – através de socos, pontapés e porretes –, a qualquer hora do dia ou da noite. Foi submetido à “palmatória” – violentos golpes com pedaços de madeira nas palmas das mãos – e o chamado “telefone” – golpes simultâneos nos dois tímpanos, com o objetivo de rompê-los. Enfrentou execuções simuladas e sofreu todo tipo de agressões e torturas psicológicas, na tentativa de desestruturá-lo psiquicamente e destituí-lo de toda dignidade. Mais de uma vez ficou desacordado, em consequência das torturas. Tudo em vão, pois Carrion resistiu sem vacilar um único momento e sem fornecer qualquer informação que pudesse prejudicar ao partido ou a seus camaradas.

Uma das questões que mais os preocupava os agentes do DOPS – chefiados pelo Delegado Pedro Seelig – era onde estava e quem era o secretário político do Partido, cujo nome-de-guerra era “Nelson”. O problema é que, no dia anterior à sua prisão, Carrion havia marcado um ponto de encontro com “Nelson”, no Parqu